12 de jun. de 2010

Dia dos namorados: data em extinção?


http://www.rebelado.com/foto/fotos-sobre-o-dia-dos-namorados/

Dia dos namorados ou dos ficantes?
por Greyce Ávila*

A data – 12 de junho – é inspiradora e reflexiva. Não vivenciei, mas as artes, em suas diversas formas, estão aí a testemunhar que houve um tempo em que enxergar o tornozelo da mulher amada era o máximo do encantamento para um homem apaixonado. Evoluímos para o namorar na sala, na igreja, de longe, sempre sob os olhares atentos de alguém muito próximo, geralmente um irmão dedo-duro que, em troca de algumas bolinhas de gude ou de figurinhas do álbum da hora, concordava em guardar nossos segredos das mãos dadas ou de um beijo roubado. E o tempo veio andando devagar, como o velho cansado que era e as conquistas de espaços e de direitos foram crescendo, dizendo ao que vieram e as coisas começaram a mudar. Já havia a despedida no portão e um êxtase incentivador a apressar o casamento.
As escolas, então, passaram a acolher meninos e meninas, sem a separação que atraía, mas que também repelia. Houve a necessidade de a mãe sair de casa para trabalhar e, logo em seguida, seus anseios em caminhar com seus próprios pés, ao lado do homem, em busca do seu sol, da sua luz. Desejo legítimo.
Infelizmente, no entanto, não soubemos fazer esta transição com o equilíbrio necessário.
De repente, o tempo enlouqueceu e, com arroubos de juventude, resolveu atropelar tudo. Viramos todos birutas barretes de saci, no alto dos telhados a mostrar ventos sem direções. E a incentivar este tempo, a rede. Uma rede de malhas tão fortes, que aproxima e afasta. Que nos faz navegar em mares virtuais, mas nos joga para o quarto, sozinhos, afastando-nos do aconchego, do convívio com a família. E as pessoas foram se distanciando, os relacionamentos foram se banalizando e os namoros foram se transformando também. Hoje, nas festinhas, nas baladas, é normal um jovem “ficar” com meia dúzia de meninas e o inverso também acontece. Não há mais mistério nos beijos, em carícias. São torneios de quem “fica” mais. E os BV – boca virgem – são alvo de gozações. Ser virgem é passar atestado, é pagar vale, é mico e dos grandes. E a beleza da descoberta, do perder o sono, dos bilhetes, das mãos suadas, do coração disparado e o nó na garganta, o ser feliz desde o antes, e mais feliz no depois, tudo isso sumiu.
Felizmente ainda existem casais de namorados, de noivos, casados, para quem o 12 de junho se renova todo dia. Mas são raros. Em extinção.
Não é saudosismo. É um lamentar profundo acerca do que os jovens de hoje estão permitindo. As meninas passam da sandália infantil para o salto, para a plataforma que as lança, como foguetes, em espaços vazios. E um sonho comum: ser modelo. Passarelas bem longe, afastadas do olhar que as ama, em dietas constantes, inclusive de afeto. Os meninos, em aspiração maior, transformam-se em cadernetas de poupança, com rendimentos incertos nos campos de futebol. Cultura e educação são supérfluas. As pessoas da minha geração talvez concordem comigo, mas eles, adolescentes e jovens adultos, certamente, me julgarão ultrapassada, careta, como até esta expressão deve ser.
O queimar etapas deixa vazios que nada preenche depois.
Ficar a gente fica com dor de barriga, dor de cabeça, pobre, rico, triste, alegre, na janela, desempregado, à espera. Mas com o outro não é só o ficar. É o compartilhar, o sonhar juntos, planejar futuros e gentes. Não ficar por ficar. Há casos de adolescentes que ficam e sequer sabem o nome um do outro. Há, também, o de crianças que têm a mobília do quarto trocada todos os anos, o som, o televisor, o computador, que têm cartões de banco e de lojas, mas que, ao serem questionadas, confidenciam amarguradas: “Gostaria imensamente que os meus pais brigassem comigo!”.
Isso é triste, gente! Nossos filhos e netos estão perdidos, seus rompantes, desaforos, falta de respeito e de gratidão, nada mais são do que gritos de socorro.
Até quando vamos “ficar” inertes? Vamos nos aproximar de nossos filhos, trazê-los dos vãos escuros das escadas, dos esconderijos dos condomínios, das festinhas que fazemos questão de levar e de buscar, mas que não sabemos o que rola lá dentro. Basta de desvalia, de solidão mascarada. Conversar, ensinar passo a passo, o sabor de um beijo, o passear de mãos dadas, a preparação lenta e segura para relacionamentos mais sólidos, para entregas reais. Ensiná-los a namorar. Servindo de exemplo, inclusive.
*Escritora


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11 de jun. de 2010

Festa Junina...saiba mais!




A origem da FESTA JUNINA no Brasil.

Junho é o mês de São João, Santo Antônio e São Pedro. Por isso, as festas que acontecem em todo o mês de junho são chamadas de "Festa Joanina", especialmente em homenagem a São João.
O nome joanina teve origem, segundo alguns historiadores, nos países europeus católicos no século IV. Quando chegou ao Brasil foi modificado para junina. Trazida pelos portugueses, logo foi incorporada aos costumes dos povos indígenas e negros.
A influência brasileira na tradição da festa pode ser percebida na alimentação, quando foram introduzidos o aipim (mandioca), milho, jenipapo, o leite de coco e também nos costumes, como o forró, o boi-bumbá, a quadrilha e o tambor-de-crioula. Mas não foi somente a influência brasileira que permaneceu nas comemorações juninas. Os franceses, por exemplo, acrescentaram à quadrilha, passos e marcações inspirados na dança da nobreza européia. Já os fogos de artifício, que tanto embelezam a festa, foram trazidos pelos chineses.
A dança-de-fitas, bastante comum no sul do Brasil, é originária de Portugal e da Espanha.
Para os católicos, a fogueira, que é maior símbolo das comemorações juninas, tem suas raízes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel acendeu uma fogueira sobre o monte.
No Nordeste do país, existe uma tradição que manda que os festeiros visitem em grupos todas as casas onde sejam bem-vindos levando alegria. Os donos das casas, em contrapartida, mantêm uma mesa farta de bebidas e comidas típicas para servir os grupos. Os festeiros acreditam que o costume é uma maneira de integrar as pessoas da cidade. Essa tradição tem sido substituída por uma grande festa que reúne toda a comunidade em volta dos palcos onde prevalecem os estilos tradicionais e mecânicos do forró.

FONTE: http://espacoeducar-liza.blogspot.com/2009/05/origem-da-festa-junina-no-brasil_21.html

PESQUISE MAIS EM:

http://www.terra.com.br/criancas/festajunina/

http://espacoeducar-liza.blogspot.com/2009/05/origem-da-festa-junina-no-brasil_21.html

http://espacoeducar-liza.blogspot.com/2009/05/150-modelos-de-atividades-para-festas.html

http://www.festajunina.com.br/2010/

http://www.brasilescola.com/datacomemorativas/festa-junina.htm

http://www.lunaeamigos.com.br/aconteceu/fj_nobrasil.htm

10 de jun. de 2010

MERITOCRACIA e educação. Saiba mais!


Armadilhas da meritocracia

REJANE DE OLIVEIRA

Dentro da lógica do mercado, hoje está colocada na sociedade a discussão sobre a avaliação do trabalho dos educadores casada com o pagamento por mérito. Pouco, no entanto, discute-se a respeito da qualidade da educação oferecida em todas as redes, sobretudo na pública. Na rede estadual do Rio Grande do Sul a avaliação qualitativa dos profissionais já é feita dentro dos planos de carreira, onde a progressão nos níveis e nas classes se dá mediante a capacitação, portanto, por merecimento. Só que este mérito não está inserido dentro da visão mercadológica.
A meritocracia ora em discussão parte de aferições voltadas a estabelecer um ranqueamento de “bons e maus profissionais”, de “bons e maus alunos”, de “boas e más” escolas. Desconsidera por completo a diversidade sócio-econômica-cultural de cada comunidade escolar. Se olharmos um pouco adiante, perceberemos que o ranqueamento forçaria a migração de alunos e educadores para as ditas escolas de melhor qualidade, justificando os processos de multisseriação, enturmação e municipalização. E o que é mais grave, levaria ao fechamento de escolas, uma vez que a meta é retirar do Estado o papel de garantidor de políticas públicas. Teríamos então um conjunto de escolas de excelência e outro conjunto de escolas com portas fechadas.
A meritocracia também rotularia os profissionais entre os que são garantidores e os que não são garantidores da qualidade. Já os alunos seriam classificados entre os que conseguem e os que não conseguem aprender. Nestes casos, desconsidera-se por completo o processo de construção do conhecimento. É uma forma de justificar demissões de servidores públicos concursados. O trabalho do educador tem de ser avaliado pelo cidadão e não por burocratas encastelados em órgãos públicos. Além disso, como já temos um processo de avaliação, quem precisa ser avaliado é o Estado, que teoricamente é o responsável pela oferta de um serviço público de qualidade. Essas são premissas básicas. Outras são apenas defesas de uma visão privada.
A qualidade da educação, que jamais se conseguirá com o pagamento por mérito, passa por investimentos na qualificação profissional, na infraestrutura das escolas, em materiais pedagógicos, no pleno funcionamento de bibliotecas e laboratórios. É preciso, por exemplo, que o Estado cumpra a lei que determina a instalação (e funcionamento) de bibliotecas em todas as escolas da rede. Sem estas condições é difícil garantir uma educação com um mínimo de qualidade. A meritocracia insere-se na visão de que a única ferramenta capaz de avaliar o aluno é o estabelecimento de provas padronizadas, um equívoco em relação ao que realmente significa a construção do conhecimento.
O processo educacional exige que se leve em consideração a realidade local, as experiências e a bagagem de cada aluno. A escola cumpre um importante papel social no desenvolvimento de valores, sendo responsável pela elaboração de um pensamento crítico e pela formação plena para a cidadania. Portanto, ao estabelecer disputas dentro de um espaço que deve ser de construção de valores a meritocracia anda na contramão do que se entende por uma educação que liberte e desperte para o desenvolvimento de consciências críticas.

REJANE DE OLIVEIRA é presidente do CPERS/Sindicato
* Artigo publicado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre/RS, edição do dia 10 de junho de 2010

FONTE:  http://www.cpers.org.br/index.php?&cd_artigo=301&menu=36

SAIBA MAIS!
http://pt.wikipedia.org/wiki/Meritocracia
http://acertodecontas.blog.br/artigos/educao-e-meritocracia-aprofundando-o-debate/

8 de jun. de 2010

Projeto África Brasil.


Africanidades Brasileiras: como trabalhar?


Africanidades Brasileiras: esclarecendo significados e construindo procedimentos pedagógicos.

PETRONILHA BEATRIZ GONÇALVES E SILVA

A expressão africanidades brasileiras refere-se raízes da cultura brasileira que têm origem africana. Dizendo de outra forma, queremos nos reportar ao modo de ser, de viver, de organizar suas lutas, próprio dos negros brasileiros e, de outro lado, às marcas da cultura  africana que, independentemente da origem étnica de cada brasileiro, fazem parte do seu dia-a-dia. Possivelmente, alguns pensem: Realmente, é verdade o que vem de ser dito, pois todos nós comemos feijoada, cantamos e dançamos samba e alguns freqüentamos academia de capoeira. E isto, sem dúvidas, é influência africana. De fato o é, mas há que completar o pensamento, vislumbrando os múltiplos significados que impregnam cada uma destas manifestações. Feijoada, samba, capoeira resultaram de criações dos africanos que vieram escravizados para o Brasil e de seus descendentes e representam formas encontradas para sobreviver, para expressar um jeito de construir a vida, de senti-la, de vivê-la. Assim, uma receita de feijoada, de vatapá ou de qualquer outro prato contém mais do que a combinação de ingredientes: é o retrato de busca de soluções para manutenção da vida física, de lembrança dos sabores da terra de origem. A capoeira , hoje um jogo que promove o equilíbrio do corpo e do espírito pelo seu cultivo, nasceu como instrumento de combate, de defesa. Africanidades brasileiras, pois, ultrapassam o dado ou o evento material, como um prato de sarapatel, uma apresentação de rap. Elas se constituem nos processos que geraram tais dados e eventos, hoje incorporados pela sociedade brasileira. Elas se constituem também dos valores que motivaram tais processos e deles resultaram. Então, estudar Africanidades Brasileiras significa estudar um jeito de ver a vida, o mundo, o trabalho, de conviver e lutar por sua dignidade, próprio dos descendentes de africanos que, ao participar da construção da nação brasileira, vão deixando nos outros grupos étnicos com que convivem suas influências, e, ao mesmo tempo, recebem e incorporam as daqueles.


Com que finalidades estudar Africanidades Brasileiras?
Muitas são as finalidades por que devemos incluir Africanidades Brasileiras no currículo escolar. Por exemplo:
• ensinar e aprender como os descendentes de africanos vem, nos mais de quinhentos anos de Brasil, construindo suas vidas e suas histórias, no interior do seu grupo étnico e no convívio com outros grupos;
• conhecer e aprender a respeitar as expressões culturais negras que compõem a história e a vida de nosso país, mas, no entanto, são pouco valorizadas;
• compreender e respeitar diferentes modos de ser, viver, conviver e pensar;
• discutir as relações étnicas, no Brasil, e analisar a perversidade da assim designada democracia racial;
• refazer concepções relativas à população negra, forjadas com base em preconceitos.


Propondo encaminhamentos
Schenetzier dá-nos importantes indicações. A aprendizagem, diz ela, consiste em reorganização e desenvolvimento das concepções dos alunos; implica, pois, mudança conceitual. Embora referindo- se a conhecimentos prévios em Química, a afirmativa da autora também diz respeito à aprendizagem em todas as outras áreas do conhecimento. Calcule- se o valor desse entendimento quando são tratados conteúdos pouco valorizados pela sociedade, quando, ao ensiná-los, pretende-se apagar preconceitos, corrigir idéias, atitudes forjadas com base nas destruidoras ideologias do racismo, do branqueamento. Schenetzier, citando Andersen, pondera que ensinar implica, entre outras coisas, busca de estratégias úteis para proceder à mudança conceitual. Para tanto, os professores deveriam:
• buscar conhecer as concepções prévias de seus alunos a respeito do estudado, ouvindo-os falar sobre elas;
• ajudar os alunos a compreender que ninguém constrói sozinho as concepções a respeito de fatos, fenômenos, pessoas; que as concepções resultam do que ouvimos outras pessoas dizerem, resultam também de nossas observações e estudos;
• lançar desafios para que seus alunos ampliem e/ou reformulem suas concepções prévias, incentivando-os a pesquisar, debater, trocar idéias, argumentando com idéias e dados;
• incentivar a observação da vida cotidiana, observações no contexto da sala de aula, a elaboração de conclusões, a comparação entre concepções construídas tanto a partir do senso comum como a partir do estudo sistemático.


Africanidades Brasileiras: uma nova área de conhecimento?
Não necessariamente. Estudos já realizados apontam para uma área interdisciplinar, melhor dizendo, todas as áreas do conhecimento a compõem, desde que abordadas sem perder a perspectiva da cultura e da história dos povos africanos ou deles descendentes. As Africanidades Brasileiras, no que diz respeito ao processo ensino-aprendizagem, conduzem a uma pedagogia anti-racista, cujos princípios são:
- respeito, entendido não como mera tolerância, mas como diálogo em que seres humanos diferentes miram- se uns aos outros, sem sentimentos de superioridade ou de inferioridade;
- reconstrução do discurso pedagógico, no sentido de que a escola venha a participar do processo de resistência dos grupos e classes postos à margem, bem como contribuir para a afirmação da sua identidade e da sua cidadania;
- estudo da recriação das diferentes raízes da cultura brasileira, que nos encontros e desencontros de umas com as outras se fizeram e hoje não são mais gêge, nagô, bantu, portuguesa, japonesa, italiana, alemã, mas brasileira de origem africana, européia, asiática.
As Africanidades Brasileiras abrangem diferentes aspectos, não precisam, por isso, constituir-se numa única área, pois podem estar presentes em conteúdos e metodologias, nas diferentes áreas de conhecimento constitutivas do currículo escolar. Vejamos alguns exemplos:


Ø Música e dança
Do ponto de vista das Africanidades Brasileiras, não tem cabimento a musicalização de crianças, adolescentes e adultos que não inclua os ritmos de origem africana.
E, do mesmo ponto de vista, não bastará ouvir textos musicais e reconhecer instrumentos típicos. Será preciso ouvir e fazer tentativas de tirar som e ritmo de chocalho, atabaque, berimbau,etc.,com o auxílio de quem sabe fazê-lo. E não basta saber tocar instrumentos, é importante saber de que são feitos, como são feitos e, sempre que possível, aprender a construir, pelo menos, alguns deles. Mais ainda, as músicas de origem africana são feitas para serem ouvidas e dançadas. Portanto, ensinar música afro, na perspectiva das Africanidades, implica ouvir, produzir ritmos, construir instrumentos, dançar, conhecer a origem dos ritmos e dos instrumentos, as recriações que eles têm sofrido através dos tempos e os lugares por onde têm passado e se enraizado.


Ø Matemática
Ao desenvolver conteúdos de Matemática, se o professor estiver atento às Africanidades Brasileiras, poderá valer-se, certamente, de obras, ainda raras entre nós, que mostram construções matemáticas africanas de diferentes culturas. Com isso, os alunos irão aprendendo diferentes caminhos trilhados pela humanidade, através de povos de diferentes culturas, para a construção dos conhecimentos que vêm acumulando.


Ø Psicologia
Esta área de conhecimento trata de importantes descobertas científicas a respeito do comportamento das pessoas, das maneiras como elas se relacionam entre si. No Brasil, assim como em outros países de fortes raízes africanas, em qualquer nível de ensino, torna-se inadmissível desconhecer as obras de Franz Fanon, pelo menos Pele Negra, Máscaras Brancas(...) que analisa e discute as dificuldades enfrentadas por descendentes de africanos para terem sua identidade respeitada, enquanto tias, num mundo colonizado por europeus. No nosso caso específico, não há como desconhecer a obra de Neuza Santos Souza, Tornar-se negro.


Ø Sociologia
Fonte-chave para estudos que tenham preocupação com as Africanidades Brasileiras é certamente a obra de Clovis Moura, salientando-se Sociologia do Negro Brasileiro, em que aborda a sociedade brasileira, a partir de estudos sobre a problemática que envolve o povo negro.


Ø Educação Física
Na medida em que esta área de conhecimento, ao dedicar-se ao estudo do corpo, incluir dança, seria incompreensível, no Brasil, deixar de haver sessões de danças de raízes africanas. E, na área de jogos, de se jogar capoeira.


Ø História
A História do Brasil, enquanto construção de uma nação, inclui todos os povos que a constituem. Assim, ignorar a história dos povos indígenas, do povo negro é estudar de forma incompleta a história brasileira. Por exemplo, o professor que trabalha na perspectiva das Africanidades Brasileiras não omitirá, ao tratar da fundação de Laguna, em Santa Catarina, que, conforme registra Cláudio Moreira Bento em O Negro, a expedição que lá se instalou em 1648 era formada, em 70%, por homens negros escravizados. Ao referir a fundação da Colônia de Sacramento, não esquecerá de fazer saber que, além dos escravos, a tropa fundadora contava com soldados negros. Se a história ensinada na escola souber contemplar, também, a vida vivida no dia-a-dia, pelos grupos menosprezados pela sociedade, então estaremos ensinando-aprendendo a história brasileira integralmente realizada. Conforme o entendimento de Gigante, a valorização da história dos grupos populares, registrando o que em suas memórias está guardado de suas experiências, é tarefa que pode ser realizada por professores e alunos, a partir da comunidade em que a escola está inserida. Desta forma, pondera o autor, todos os que constroem o Brasil estarão presentes nos conteúdos escolares.


Ø Literatura e Língua Portuguesa
Poderá envolver pessoas da comunidade que têm o gosto de colaborar com a escola. As histórias colhidas pelos alunos são transformadas em textos que poderão ser reunidos num livro e, desta forma, ser divulgados entre outras classes e também na comunidade. Os professores, juntamente com os alunos, decidem o que perguntar, que histórias pedir para as pessoas da comunidade negra contar: histórias de brincadeiras, de trabalho, de festejos, de celebrações religiosas, da vida na escola, etc.


FONTE: http://www.revistadoprofessor.com.br/system/biblioteca/materias/africanidade.pdf

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6 de jun. de 2010

Copa do Mundo 2010. Informe-se aqui!


Obras do principal estádio, o Soccer City, duraram três anos

 Copa do Mundo de 2010.

Entre 11 de junho e 11 de julho de 2010, pessoas do mundo inteiro assistirão aos jogos da Copa do Mundo de Futebol. O evento será realizado pela primeira vez no continente africano, tendo a África do Sul como país-sede. Apesar de o torneio durar apenas um mês, os preparativos demoram anos e exigem muito esforço, tanto físico quanto financeiro.
A escolha da África do Sul foi anunciada em maio de 2004, quando o país derrotou Marrocos por quatorze votos contra dez. Para a escolha, os 24 membros do Comitê Executivo da FIFA (Federação Internacional de Futebol) analisaram aspectos como, turismo, segurança, estádios, infraestrutura, transporte, rede hoteleira, entre outros.
Geralmente, os países que organizam a Copa selecionam 12 cidades-sede para abrigarem os jogos. Em virtude de a África do Sul não ser uma potência econômica, a FIFA permitiu a escolha de apenas nove cidades, sendo que Johanesburgo terá dois estádios. As outras oito são: Cidade do Cabo, Durban, Nelspruit, Polokwane, Rustemburgo, Pretória, Bloemfontein e Port Elizabeth.
O principal estádio do Mundial de 2010 é o Soccer City (Cidade do Futebol, em português), que está localizado em Johanesburgo. Ele foi construído em substituição ao antigo FNB Stadium, ampliando a capacidade de 88 mil para 94.700 espectadores, tornando-se o maior do continente africano. As obras duraram três anos e custaram cerca de 800 milhões de reais.
Historicamente, a localização do Soccer City é bastante importante. Foi no antigo estádio que, em 1990, Nelson Mandela fez o seu primeiro discurso após sair da prisão. O outro estádio de Johanesburgo, o Ellis Park, pertence a um time de rugby. Em 1995, o Ellis Park recebeu a final do mundial rugby, principal esporte do país, vencida pela própria África do Sul e retratada por meio do filme Invictus, em 2009. Este evento foi muito importante para a integração racial, pois atraiu torcedores negros a um esporte considerado de brancos.


Participantes
Desde 1998, as Copas do Mundo contam com a participação de 32 seleções. As mesmas disputam um campeonato nos seus respectivos continentes para conseguirem uma vaga na competição. A exceção é o país-sede, que sempre tem a participação garantida.
A distribuição das vagas para este torneio foi feita da seguinte maneira: 3 para América do Norte; 4 para América do Sul; 13 para Europa; 4 para a Ásia; 5 para África e 1 para o país-sede. As outras duas foram disputadas nos seguintes confrontos:
 - 5º da América do Sul x 4º da América Central (Uruguai venceu Costa Rica)
- Campeão da Oceania x 5º da Ásia (Nova Zelândia venceu o Bahrein)
 O sorteio da Copa do Mundo é realizado por meio de um evento de gala transmitido ao vivo para todo o planeta. As melhores seleções e o país-sede formam os chamados “cabeças de chave”, que são separados para não se enfrentarem na 1ª fase. Com base nesse critério foi realizado o sorteio e os grupos ficaram assim:Grupo A: África do Sul, México, Uruguai e França
Grupo B: Argentina, Nigéria, Coreia do Sul e Grécia
Grupo C: Inglaterra, Estados Unidos, Argélia e Eslovênia
Grupo D: Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana
Grupo E: Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões
Grupo F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia
Grupo G: Brasil, Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal
Grupo H: Espanha, Suíça, Honduras e Chile


Torneio
A seleção que se sagrar campeã terá que jogar sete partidas. Na 1ª fase, as seleções jogam contra as participantes de seu grupo, e as duas que mais obtiverem pontuação, passam para as oitavas-de-final. A partir daí, os países disputam em caráter eliminatório até a grande final, que será em 11 de julho, no estádio Soccer City.
O Brasil estreia no Mundial no dia 15 de junho, às 15h30 (horário de Brasília), contra a Coreia do Norte. O segundo jogo é com a Costa do Marfim, no dia 20 seguinte, também às 15h30. A última partida do Brasil na 1ª fase será no dia 25 de junho às 11h, contra Portugal.


Curiosidades
Ingressos: Os sul-africanos pagarão por um preço mais acessível que os estrangeiros para assistirem às partidas. O ingresso mais barato poderá custar cerca de R$ 36. Já os turistas poderão pagar mais de R$ 1.600, caso queiram assistir ao jogo final com vistas a ocupar o melhor lugar do estádio.
Mascote: Um leopardo foi escolhido para ser o mascote da competição. Ele recebeu o nome de Zakumi, sendo ZA em referência à sigla do país e Kumi, cuja significância é dez.
Bola: Possui 11 cores diferentes, cada uma representando os dialetos e etnias da África do Sul. Recebeu o nome de Jabulani, que significa "Trazendo alegria para todos".
Digital: O Mundial de 2010 será a primeira Copa multimídia no Brasil. Os espectadores terão a oportunidade de assistir aos jogos ao vivo com imagens em alta resolução (HD), seja pela TV, celular ou computador. A Copa também terá transmissão em 3D (terceira dimensão).

2014
A Copa de 2010 faz parte de um projeto da FIFA cujo objetivo é levar um dos maiores eventos esportivos do mundo, inferior apenas às Olimpíadas de Verão, para todos os continentes.
Em 2002, a Ásia também recebeu pela primeira vez o torneio, e o próximo Mundial voltará à América do Sul após 36 anos, já que o último, realizado na Argentina, ocorreu em 1978.
A Copa de 2014 será no Brasil!


Por Adriano Lesme
Graduado em Jornalismo
Equipe Brasil Escola


QUER SABER MAIS? ACESSE:

5 de jun. de 2010

A cultura do medo.


Filhos do medo.
 Eliani Gracez Nedel*

O ser humano encontrou no medo uma forma de organização social. Surge, assim, a cultura do medo. Impor limites, para alguns, é impor o medo. E, assim, milhares e milhares de crianças foram educadas pelo medo, para o medo e com medo. Crianças que cresceram limitadas, angustiadas e, é claro, infelizes. Quando uma criança é educada com medo, ela se torna obediente e incapaz de impor sua vontade diante das relações desiguais. O medo assume uma representação marcante e limitadora da potencialidade humana. Por isso, a educação, historicamente, se deu através de castigos e agressão. E, assim, ao longo dos séculos, o medo foi “o carro-chefe” da educação.
Como bons filhos do medo, tememos até mesmo a liberdade, pois o medo impõe um limite atroz, e por isso desconhecemos a liberdade. Medo de morrer, medo da velhice, medo da doença, medo de perder o que foi conquistado, medo de promover mudanças na vida, por isso preferimos a mesmice, medo do desconhecido. Medo de encarar um novo desafio e perder tudo. Medo de ter que começar tudo outra vez. Medo! Medo! Medo! Onde há o medo, não pode haver sabedoria, dizia um filósofo antigo. Não sabemos mais viver sem medo e sem disseminar o medo. Seja através de uma chinelada no filho ou um olhar ameaçador. Tem até quem pense que só respeitamos aqueles a quem tememos. É por não saber fazer se respeitar de outra forma, que o ditador impõe o medo e alguns pais usam o chinelo. Quanta ausência de sabedoria!
Tudo isso, porque ao invés de criar a cultura da felicidade e ensinar aos filhos como fazer bom uso da liberdade, por falta de sabedoria, criamos a cultura do medo. E hoje, por mais que uma mudança no paradigma da educação seja necessária, tememos a mudança. Foram séculos e mais séculos de educação pelo medo. E, com isso, a liberdade, em pessoas despreparadas para ela, tomou caminhos tortuosos. Tudo isso porque a liberdade na cultura do medo foi afastada, extirpada como se fosse um grande mal. O desafio é grande, acabar com a cultura do medo é dar a todos os seres humanos a mesma condição de igualdade ou de liberdade. Por isso hoje se fala em “rede” ou “teia” na área da educação e da família. Onde uma pessoa não é mais importante do que a outra. O problema é: quem é que sabe educar sem se impor através do medo? Onde estão nossos sábios? Ditadores, poderíamos apontar um monte, mas, sábios, quem conhece um?
*Filósofa

FONTE: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2924583.xml&template=3898.dwt&edition=14814§ion=1012

3 de jun. de 2010

É preciso INCLUIR...saiba como!


FONTE:http://sentidos.uol.com.br/galeria/mostra_galeria.asp?galeria=62


24 respostas para as principais dúvidas sobre inclusão

As soluções para os dilemas que o gestor enfrenta ao receber alunos com deficiência.
Noêmia Lopes.

Um desenho feito com uma só cor tem muito valor e significado, mas não há como negar que a introdução de matizes e tonalidades amplia o conteúdo e a riqueza visual. Foi a favor da diversidade e pensando no direito de todos de aprender que a Lei nº 7.853 (que obriga todas as escolas a aceitar matrículas de alunos com deficiência e transforma em crime a recusa a esse direito) foi aprovada em 1989 e regulamentada em 1999. Graças a isso, o número de crianças e jovens com deficiência nas salas de aula regulares não para de crescer: em 2001, eram 81 mil; em 2002, 110 mil; e 2009, mais de 386 mil - aí incluídas as deficiências, o Transtorno Global do Desenvolvimento e as altas habilidades.
Hoje, boa parte das escolas tem estudantes assim. Mas você tem certeza de que oferece um atendimento adequado e promove o desenvolvimento deles? Muitos gestores ainda não sabem como atender às demandas específicas e, apesar de acolher essas crianças e jovens, ainda têm dúvidas em relação à eficácia da inclusão, ao trabalho de convencimento dos pais (de alunos com e sem deficiência) e da equipe, à adaptação do espaço e dos materiais pedagógicos e aos procedimentos administrativos necessários.
Para quebrar antigos paradigmas e incluir de verdade, todo diretor tem um papel central. Afinal, é da gestão escolar que partem as decisões sobre a formação dos professores, as mudanças estruturais e as relações com a comunidade. Nesta reportagem, você encontra respostas para as 24 dúvidas mais importantes sobre a inclusão, divididas em seis blocos.

Gestão administrativa

1. Como ter certeza de que um aluno com deficiência está apto a frequentar a escola?
Aos olhos da lei, essa questão não existe - todos têm esse direito. Só em alguns casos é necessária uma autorização dos profissionais de saúde que atendem essa criança. É dever do estado oferecer ainda uma pessoa para ajudar a cuidar desse aluno e todos os equipamentos específicos necessários. "Cabe ao gestor oferecer as condições adequadas conforme a realidade de sua escola", explica Daniela Alonso, psicopedagoga especializada em inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.

2. As turmas que têm alunos com deficiência devem ser menores?
Sim, pois grupos pequenos (com ou sem alunos de inclusão) favorecem a aprendizagem. Em classes numerosas, os professores encontram mais dificuldade para flexibilizar as atividades e perceber as necessidades e habilidades de cada um.

3. Quantos alunos com deficiência podem ser colocados na mesma sala?
Não há uma regra em relação a isso, mas em geral existem dois ou, em alguns casos, três por sala. Vale lembrar que a proporção de pessoas com deficiência é de 8 a 10% do total da população.

4. Para torna a escola inclusiva, o que compete às diversas esferas de governo?
"O governo federal presta assistência técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para o acesso dos alunos e a formação de professores", explica Claudia Pereira Dutra, secretária de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC). Os gestores estaduais e municipais organizam sistemas de ensino voltados à diversidade, firmam e fiscalizam parcerias com instituições especializadas e administram os recursos que vêm do governo federal.

Gestão da aprendizagem

5. Quem tem deficiência aprende mesmo?
Sem dúvida. Sempre há avanços, seja qual for a deficiência. Surdos e cegos, por exemplo, podem desenvolver a linguagem e o pensamento conceitual. Crianças com deficiência mental podem ter mais dificuldade para se alfabetizar, mas adquirem a postura de estudante, conhecendo e incorporando regras sociais e desenvolvendo habilidades como a oralidade e o reconhecimento de sinais gráficos. "É importante entender que a escola não deve, necessariamente, determinar o que e quando esse aluno vai aprender. Nesses casos, o gestor precisa rever a relação entre currículo, tempo e espaço", afirma Daniela Alonso.

6. Ao promover a inclusão, é preciso rever o projeto político pedagógico (PPP) e o currículo da escola?
Sim. O PPP deve contemplar o atendimento à diversidade e o aparato que a equipe terá para atender e ensinar a todos. Já o currículo deve prever a flexibilização das atividades (com mais recursos visuais, sonoros e táteis) para contemplar as diversas necessidades.


7. Em que turma o aluno com deficiência deve ser matriculado?
Junto com as crianças da mesma idade. "As deficiências física, visual e auditiva não costumam representar um problema, pois em geral permitem que o estudante acompanhe o ritmo da turma. Já os que têm deficiência intelectual ou múltipla exigem que o gestor consulte profissionais especializados ao tomar essa decisão", diz Daniela Alonso. Um aluno com síndrome de Down, por exemplo, pode se beneficiar ficando com um grupo de idade inferior à dele (no máximo, três anos de diferença). Mas essa decisão tem de ser tomada caso a caso.


8. Alunos com deficiência atrapalham a qualidade de ensino em uma turma?
Não, ao contrário. Hoje, sabe-se que todos aprendem de forma diferente e que uma atenção individual do professor a determinado estudante não prejudica o grupo. Daí a necessidade de atender às necessidades de todos, contemplar as diversas habilidades e não valorizar a homogeneidade e a competição.


9. Como os alunos de inclusão devem ser avaliados?
De acordo com os próprios avanços e nunca mediante critérios comparativos. Esse é o modelo adotado na EM Valentim João da Rocha, em Joinville, a 174 quilômetros de Florianópolis (leia mais no quadro abaixo). "Os professores devem receber formação para observar e considerar o desenvolvimento individual, mesmo que ele fuja dos critérios previstos para o resto do grupo", explica Rossana Ramos, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Quando o estudante acompanha o ritmo da turma, basta fazer as adaptações, como uma prova em braile para os cegos.


10. A nota da escola nas avaliações externas cai quando ela tem estudantes com deficiência?
Em princípio, não. Porém há certa polêmica em relação aos casos de deficiência intelectual. O MEC afirma que não há impacto significativo na nota. Já os especialistas dizem o contrário. Professores costumam reclamar disso quando o desempenho da escola tem impacto em bônus ou aumento salarial. "O ideal seria ter provas adaptadas dentro da escola ou, ao menos, uma monitoria para que os alunos pudessem realizá-las. Tudo isso, é claro, com a devida regulamentação governamental", defende Daniela Alonso. Enquanto isso não acontece, cabe aos gestores debater essas questões com a equipe e levá-las à Secretaria de Educação.

Educação é Tudo!


Dicas interessantes aos educadores! Confira!!


Os segredos dos bons professores.
O que todos nós temos a aprender com os mestres dedicados, capazes de transformar nossas crianças em alunos de sucesso.  (Camila Guimarães)
Algumas técnicas dos melhores professores observadas pelo educador Doug Lemov :

É certo só se estiver 100% certo
• Continuar perguntando a mesma coisa para o aluno até que ele dê uma resposta 100% certa. O que acaba acontecendo na maioria das classes é algo parecido com o descrito neste diálogo:
– Como era a convivência entre as famílias de Romeu e Julieta? – pergunta a professora.
– Eles não se gostavam – responde um aluno.
– Certo. Eles não se gostavam e disputavam terras havia anos, acrescenta a professora, que ainda dá parabéns ao aluno pela resposta que ele não deu.
Ao não apontar para o aluno que a resposta dele poderia ser mais completa, a professora passa a mensagem de que ele pode estar certo até quando não está – e, obviamente, isso não vai funcionar em uma prova ou no vestibular. A dica é ter paciência e insistir na pergunta, até chegar ao 100% certo. Um excelente professor sairia assim dessa situação: “Foi um bom começo, mas dizer apenas que eles não se gostavam realmente revela qual era a relação entre as famílias?”. Dessa forma, ele deixa claro que não aceita nada menos do que uma resposta completamente correta, sem deixar de demonstrar confiança na capacidade de seus alunos.

Olho no professor
• Os alunos não podem anotar nada enquanto o professor explica a matéria. Todos os olhos devem estar voltados para ele. Isso é mais eficiente para controlar quem está prestando atenção do que repetir 1 milhão de vezes “prestem atenção agora, isso é importante”. Pelo simples fato de que o professor enxerga os olhos dos alunos. Ou se as canetas estão descansando sobre a carteira. Um dos maiores problemas enfrentados no dia a dia por professores é que nem todos os alunos seguem suas orientações. Podem ser orientações de como executar um exercício. Os que ficam para trás estão deixando de aprender e ainda podem tumultuar a aula. Para os bons professores, só há uma porcentagem aceitável de alunos que obedece ao que foi pedido: 100%. Menos que isso, o desempenho da classe toda estará comprometido.


O lado positivo da bronca
• Usar frases positivas na hora de chamar a atenção do aluno. Faz uma tremenda diferença dizer “por favor, eu preciso que você olhe para a frente”, em vez de “não olhe para trás”. Pessoas se motivam muito mais por fatores positivos do que negativos. No geral, elas agem para buscar o sucesso, e não para evitar fracassos. A técnica do enquadramento positivo pode ser aplicada durante a aula ou em uma conversa reservada com o aluno. Se outros estudantes assistem ao diálogo entre o professor e o aluno que está sendo repreendido, o ideal é sempre assumir, a princípio, que o mau comportamento não é intencional. É mais produtivo dizer algo como “classe, só um minuto, parece que alguns se esqueceram de empurrar suas cadeiras”, do que “classe, só um minuto, alguns decidiram não empurrar suas cadeiras como eu pedi”. Isso ajuda o professor a ganhar a confiança do aluno, o que é fundamental para o aprendizado.


Circulação pela sala
• Enquanto explica a matéria ou como resolver um exercício, o professor circula pela sala. Ao quebrar a barreira imaginária que existe entre ele e os alunos, demonstra proximidade. Durante a caminhada, aproveita para fazer perguntas individuais, corrigir ou elogiar um caderno. Circular pela sala é ainda uma boa oportunidade para descobrir o que acontece quando o professor está virado de costas para a turma, ao flagrar um álbum de figurinhas aberto ou um celular ligado.


Para fisgar o aluno
• Apresentar um novo tópico da matéria de um jeito diferente. Esse é o primeiro passo para aprender aquela lição. Para fisgar os alunos, a técnica é usar iscas como uma história, trechos de um filme ou um pequeno desafio. Por exemplo: antes de ensinar o conceito de frase completa, uma professora pede aos alunos que formem uma frase com cinco palavras dadas por ela. Depois de poucos minutos, eles percebem que é impossível executar a tarefa – porque não havia entre as palavras o sujeito da frase. A surpresa do problema sem solução manteve os alunos atentos o resto da aula.


Não vale não tentar
• Não aceitar “não sei” como resposta e conduzir o aluno à resposta certa – ou à melhor possível – é uma das técnicas mais simples para motivar o aluno a aprender. Uma professora pergunta a um aluno qual o sujeito da frase “minha mãe não estava contente”, ele diz que não sabe. Então, ela se volta para a turma e pergunta qual a definição de sujeito. Depois de ouvir que o sujeito é quem pratica a ação, ela volta para o primeiro aluno e repete a pergunta inicial. Ele então consegue responder: a mãe. A cultura do “não sei” é nociva principalmente porque passa a impressão de que alguns alunos não são capazes de aprender. Manter a expectativa alta em relação ao aluno é fundamental para seu sucesso.

A hora certa de elogiar
• O elogio só deve vir quando o aluno fizer mais do que lhe foi pedido. Os professores excelentes fazem uma distinção precisa entre o que o aluno aprendeu dentro das expectativas e quanto ele as superou. Se um aluno cumpre uma tarefa corriqueira, como manter sua carteira limpa, o professor pode dizer “obrigado por fazer o que eu pedi”, em vez de “excelente trabalho!”. A banalização do elogio tem um efeito destrutivo no longo prazo. O elogio por atitudes banais acaba minando a confiança do aluno de que ele possa fazer algo extraordinário.

O jeito certo de fazer perguntas
• Em vez de fazer uma pergunta para toda a classe responder ou chamar apenas os alunos que levantaram a mão, escolher quem vai dar a resposta, chamando o aluno pelo nome ou apenas apontando para ele. Essa técnica não só permite que o professor cheque o que cada aluno aprendeu, como também é uma forma de mantê-los atentos – afinal, a qualquer momento, alguém pode ser chamado para responder a alguma coisa. Se esse tipo de atividade acontecer todos os dias, os alunos passarão a esperar por isso e, no médio prazo, mudarão seu comportamento. Muitos professores acham que chamar um aluno para responder a uma pergunta é “expô-lo” ao resto da turma. Mas, se a técnica for feita da maneira correta, é o jeito mais eficiente de ouvir aqueles alunos que gostariam de responder, mas hesitam em levantar a mão.

FONTE : http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI135460-15228-4,00-OS+SEGREDOS+DOS+BONS+PROFESSORES.html

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